skip to main |
skip to sidebar
JUSTIÇA #06
Superman e Capitão Marvel rumam em direção ao Sol para tentar destruir os vermes introduzidos na corrente sanguínea do Homem de Aço para controlar sua mente; Eléktron, ainda internado no hospital, recuperando-se do último atentado sofrido, tem seu derradeiro encontro com Giganta; Após escapar com vida do ataque surpresa no Museu, Carter e a Mulher-Gavião dirigem-se ao covil do Mestre dos Brinquedos em uma tentativa de descobrir sua participação na conspiração elaborada por Lex Luthor; E mais, Mulher-Maravilha, na batcaverna, tem que enfrentar Hera Venenosa e seu mais novo ajudante... Batman!Ficou surpreso com a quantidade incrível de acontecimentos contidos em apenas 28 páginas de história? Isso não é tudo, deixei de mencionar fatos envolvendo Lanterna Verde, Lex Luthor, Coringa, Flash... são muitas as situações relevantes para o desenrolar desta maxissérie brilhantemente desenvolvida por Alex Ross e sua trupe.O brilhantismo no desenvolvimento da história encontra-se exatamente em encaixar e permitir a fluidez da narrativa em meio a tantos fatos que, embora curtos (ocupando, por vezes, apenas uma página), têm sua relevância, merecendo tratamento criterioso. É fácil empurrar uma dezena de acontecimentos em uma HQ com intuito de vender a idéia de ser ela “dinâmica”. Porém, fazer com que a história transcorra sem sobressaltos, ligando as cenas apresentadas e trazendo coerência para todo o contexto requer muito planejamento, organização e precisão na escolha das palavras e desenhos de cada quadro.Neste sexto número da série Justiça, somos presenteados com uma verdadeira aula de como escrever e desenhar uma HQ. Todos os acontecimentos são tratados de forma concisa, mas sem perder em momento algum sua profundidade.Belo exemplo disso é o tratamento conferido ao Superman quando é levado pelo Capitão Marvel em direção ao Sol para “queimar” os vermes introduzidos em seu corpo. Mesmo tendo plena consciência de não estar com todos os seus poderes restabelecidos, Superman não hesita em pedir ao Capitão que o arremesse ao Sol, ficando, inclusive, irritado com a relutância desse em atender seu pedido.Nesta edição acompanhamos um pouco mais do drama sofrido por Hal Jordan. Preso em um ponto desconhecido do universo, o Lanterna Verde se vê obrigado a transformar-se em impulsos eletrônicos, passando a viver no interior de seu anel, evitando, assim, que este fique sem carga. Com intuito de evitar o isolamento eterno, Hal tenta criar, por meio de seu anel, uma realidade própria, com prédios, música e pessoas. Entretanto, a realidade humana revela toda sua complexidade, tornando impossível sua reprodução “interior”. Desta forma, os homens têm a aparência de seres viventes, mas não agem como tais; suas ações são programadas, sem espontaneidade, sem falhas, sem vida... A perfeição caótica dos seres humanos é reconhecida por Braniac, o qual em determinado momento da história diz que “o caos que é a vida orgânica não pode ser calculado ou replicado com precisão”. Para azar do Lanterna Verde, Braniac não poderia estar mais certo.Merece destaque, ainda, a luta entre Elektron e Giganta. Os dois possuem como característica a manipulação de seu tamanho, contudo, a utilizam de formas diversas. Enquanto Giganta amplia sua força física, aumentando de tamanho (em processo que deforma completamente seu rosto, tornando-a uma personagem assustadora), Eléktron reduz sua massa corpórea, atributo que apesar de diminuir sua força física, majora sua velocidade. E com inteligência e agilidade ele encontra o único ponto fraco aparente da vilã, atingindo-a com um golpe único, porém, suficiente para derrotá-la.Já no que concerne o plano da vilania para destruir a Liga da Justiça, pela primeira vez nesta série é mostrado como Lex Luthor convenceu os demais vilões a “abraçar” sua causa. Também notamos que Luthor não executou o plano sozinho. Para recrutar seus aliados e convencer toda a população mundial de suas boas intenções precisou do auxílio de pelo menos dois outros comparsas (Braniac e Grodd).O roteirista Jim Krueger demonstra grande habilidade em solucionar aos poucos os dramas sofridos por alguns dos membros da Liga, mantendo o suspense sobre o futuro de outros tantos (Flash ao final da edição está a ponto de morrer de exaustão e nem cogito perguntar o que ocorreu com Aquaman), além de levantar questionamentos interessantes a serem respondidos, como por exemplo: qual o motivo da criação de novas cidades para abrigar os humanos “curados” pelos “vilões”? Por que o Mestre dos Brinquedos está fabricando Braniacs em escala? A sede de saber essas respostas nos mantêm apreensivos com a chegada de cada novo número da série nas bancas.Quanto à arte... bem, deixarei de comentá-la, pois sua perfeição irrita e quando fico nervoso não consigo escrever direito. Somente farei um registro sobre a capa desta edição (na minha opinião a melhor até o momento), é na reprodução minimalista de um ataque do Eléktron que a arte revela sua grandeza.Mais uma edição inesquecível desta série que impressiona todas as vezes que é lida (somente para escrever este review li a revista inteira pelo menos quatro vezes, sem contar as ocasiões que revisitei pontos específicos para descrevê-lo). Seis revistas já foram, mais seis ainda estão por vir. Esta marcou a metade de um caminho delicioso de percorrer, mas que infelizmente anuncia o fim logo à frente.